Músicas de Protesto – Parte I

Hey Hey Hey!


Hoje estou começando mais uma série de posts, onde irei falar das músicas que foram feitas em protesto contra algo, desde a política até a mídia!

São inúmeras músicas assim, mas aqui só irei falar das melhores e aquelas que representaram algo para o povo, aquelas que marcaram gerações e que até hoje são lembradas e cantadas por todos, desde os mais velhos até os mais novos que sabem da história da música!

Irei começar falando da música Roda Viva, que foi composta pelo glorioso Chico Buarque e interpretada por ele mesmo juntamente com o quarteto MPB4!

Roda Viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu…

É nítido o sentimento de impotência que acometia a parcela da população que sabia o tamanho do perigo que o país encontrava-se ao passar por uma Ditadura. Ditaduras servem apenas para mergulhar um país em ruínas. Para atrasá-lo, se não de modo econômico, mas de modo cultural e social. A maior parte da população achava que estava tudo bem, pois não sabia o que se passava. E aqueles que sabiam de algo não podiam fazer muito, podendo sofrer sérias consequências. Era como se não estivessem mais ali (como quem partiu).

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá…

Roda-viva era um movimento de policiais que ficavam perambulando pela cidade e ficavam separando as rodinhas de pessoas que se formavam, para não deixar que eles combinassem alguma rebelião, não permitiam que mudanças sejam elaboradas. Os dois primeiros versos mostram a vontade de lutar contra tudo o que acontecia, enquanto os dois últimos apenas confirmam a impotência descrita na estrofe nº1.

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração…

O refrão cita diversas palavras com o termo “roda”. Roda mundo, roda gigante, roda moinho e roda pião, dispostos em sequência, dão a sensação de repetição e de continuidade, tal qual a roda-viva, que não para em momento algum. Isso apenas reafirma que, por mais que você tente ou não mudar algo, consiga ou não… A roda viva não para. O mundo não para para esperar, ou para ajudar.

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá…

Se uma tag pudesse ser inserida nessa análise, eu escolheria a palavra impotência. Não existe palavra que faça mais sentido, aqui. Observemos os primeiros quatro versos dessa estrofe. Nos dois primeiros, percebemos que existe a tentativa de causar mudanças e reflexões. Ir contra a corrente é ignorar a massa ignorante. Nos próximos dois versos, porém, admitem que nem tudo foi feito. A “volta do barco” é o retorno, a volta ao ponto inicial. Mais que o desejo de ter “voz ativa”, a esperança é cultivada, coisas boas são plantadas e aqui retratadas como uma “roseira” que, assim como todo o resto, é levado pela imponente roda viva.

A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou…

A saia da mulata não roda mais; não há mais dança, não há mais serenata, não há mais roda de samba. É preciso admirar a genialidade de Chico Buarque ao retratar a quietude de um povo frente à censura que, impedido até de lutar pelo seu país, aquieta-se. Cala-se.

A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá…

Faz-se, aqui, uma repetição da ideia de lutar contra a corrente. A figura da viola representa a música, as composições que poderiam fazer alguma diferença e são levadas pela roda viva… Censuradas pela Ditadura.

O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou…

Depois de tanto lutar em vão, desiste-se de fazer a diferença. Como se a Ditadura, de fato, tivesse vencido, e qualquer resquício de mudança fosse ilusório, e tivesse sido levado por uma brisa qualquer.

No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá…

Talvez o mais triste dos versos, mostra que já não há mais vontade de mudar. Existe a saudade no peito, aquela vontade de que as coisas voltem a ser como antes eram… Mas já existe tanto descontentamento, tanta tristeza, que é mais uma coisa que a roda-viva ceifa do peito de todos: a saudade.

Bom, fica aí a analíse da música Roda Viva para vocês, e espero que entendam um pouco mais do que acontecia na época da Ditadura aqui no Brasil. Essa época já passou, mas ainda vivemos uma Ditadura escondida, com censura e tudo mais! Que com o tempo isso mude, censura não está com nada e o povo brasileiro merece ter “Voz Ativa” nesse paí, devemos poder reclamar por melhorias sem sermos alvos de tiros com armas de borracha ou sermos alvo de algum tipo de repressália!

Deixo aqui meus sentimentos de pura tristeza com o que acontece no Brasil e que, volto a dizer, tudo mude com o passar do tempo! Pois não adianta mudar o mandatário do país e continuar a mesma merda de sempre! E, povo brasileiro, vamos reclamar mais, não vamos só abaixar a cabeça, aceitar o que eles querem e deixar tudo como está, vamos às ruas pedir melhorias para o nosso país!

Eu tenho orgulho de ser Brasileiro, mas teria muito mais orgulho se nossos administradores soubessem gastar nosso dinheiro de modo certo, ao invés de pegar e colocar o dinheiro em seus bolsos e fingir que está tudo bem, podiam melhor a educação do país e investir mais nos esportes, pois o esporte faz com que muitas crianças saiam das ruas e se tornem alguém na vida!

Bom, não irei me prolongar mais, pois quando eu começo, eu não paro. Espero que tenham lido isso até o fim e que mudem o pensamento de vocês, pois não adianta só reclamar e não fazer nada, tem que lutar contra isso.

Hoje não irei acabar com o “Long Live To The Rock”, irei acabar diferente…

VIVA O BRASIL! VIVA CHICO BUARQUE E TODOS AQUELES QUE PROTESTARAM CONTRA A DITADURA, SEJA EM MÚSICA OU EM PASSEATAS!

4 Respostas to “Músicas de Protesto – Parte I”

  1. Gosto muito de musicas de protesto, e tambem dá historia da epoca da ditadura, apesar de eu não gostar muito do estilo MPB, mas é uma boa musica, mas quem sabe não ficario com um som mais rapido …

  2. PORRA, Serginho! Vaaai escrever muito assim na China UIHSUIIASHUIASHUASHUIHASIIAS
    Anyway, gostei do post! Gostei das suas ideias e belo tema a ser retratado! =D

    Bom, além do que vc falou, sobre o refrão, eu também interpreto como o tempo que passou “rápido” demais e nada pode ser feito a respeito das injustiças e barbaridas cometidas pelo Governo sendo, como vc disse, cometidas repetidamente.
    O “pior” é que hoje em dia, a censura é beeeem mais branda aqui no Brasil e não existem mais Chicos, Caetanos, Raulzitos e Gils =/

  3. VO-CÊ escreveu muuuuuito, se não tivesse legal a porra do post não teria lido x_x
    ASEHIUSEAHIUSEAHSEAIUASEHSEAH
    mas tá tuuudo bem, tuuuudo legal .
    Curti essa volta à história ;DD

  4. Como a ditadura não percebia o que queria se dizer,, como não éram proíbidas, como passavam pela censura??
    Grato!!

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